Como calcular o preço por hora como autônomo: fórmula e exemplo
Uma metodologia transparente para transformar renda desejada, custos, horas faturáveis, férias e margem de segurança em um preço sustentável.
Preço por hora não é o salário desejado dividido por todas as horas do mês. O valor precisa pagar o trabalho entregue ao cliente e também o tempo de orçamento, administração, estudo, cobrança e descanso. A conta abaixo é um ponto de partida; mercado, especialização, urgência e risco do projeto também influenciam a proposta final.
1. Separe retirada pessoal e custos do negócio
Comece pela retirada mensal que você precisa receber. Depois liste custos do negócio: DAS, internet, ferramentas, contador, equipamentos, taxas bancárias, marketing e uma reserva para manutenção. Não trate o DAS como um percentual genérico: para o MEI comum ele é um valor mensal fixo, atualizado com o salário mínimo e acrescido de ISS e/ou ICMS conforme a atividade.
2. Calcule horas realmente faturáveis
Se você trabalha 160 horas por mês, nem todas podem ser vendidas. Reuniões comerciais, elaboração de propostas, emissão de notas, aprendizado e intervalos consomem parte da agenda. Registre seu tempo durante quatro semanas para descobrir sua realidade. Enquanto não tiver histórico, use uma estimativa conservadora e ajuste depois.
Exemplo: 160 horas disponíveis menos 45 horas administrativas e 15 horas de reserva resultam em 100 horas faturáveis. Dividir por 160 faria você cobrar abaixo do necessário.
3. Use uma fórmula que possa ser auditada
Preço-base por hora = (retirada desejada + custos mensais + reservas) ÷ horas faturáveis.
Considere uma retirada de R$ 5.000, custos de R$ 900 e reservas de R$ 600, com 100 horas faturáveis. O preço-base é R$ 65 por hora. Se o projeto tiver escopo incerto ou exigir responsabilidade adicional, a margem de risco deve ser calculada sobre esse preço, não escondida em uma estimativa aleatória.
4. Inclua férias, períodos sem projeto e benefícios
Quem trabalha por conta própria não recebe férias remuneradas nem décimo terceiro automaticamente. Uma forma simples é calcular quanto precisa retirar ao longo do ano, acrescentar a reserva anual desejada e dividir pelos meses efetivamente trabalhados. Se pretende trabalhar 11 meses, os custos dos 12 meses precisam ser cobertos pela receita desses 11.
Também crie uma reserva para inadimplência e ociosidade. Ela não é lucro: é proteção para meses com menos trabalho. O lucro vem depois de pagar sua retirada, custos e reservas.
5. Converta a hora interna em preço de projeto
Você não precisa mostrar preço por hora ao cliente. Estime as horas de produção, revisão, reunião e gestão, multiplique pelo preço-base e detalhe o que está incluído. Defina quantidade de revisões, prazo, forma de pagamento e valor de mudanças fora do escopo.
Exemplo: 18 horas de produção + 4 horas de reunião e revisão = 22 horas. A R$ 65, o piso técnico é R$ 1.430. Acrescente custos exclusivos do projeto e, quando fizer sentido, margem pelo valor e risco assumidos.
Como saber se o preço funciona na prática?
- Compare o preço calculado com propostas aceitas e recusadas, sem copiar concorrentes cegamente.
- Revise as horas estimadas ao final de cada projeto.
- Atualize custos sempre que uma ferramenta, imposto ou rotina mudar.
- Não prometa escopo aberto por preço fixo.
- Se a demanda estiver cheia por meses, reavalie preço, prazo e posicionamento.
O que a calculadora consegue — e o que não consegue
A calculadora do MEI Fácil organiza os componentes matemáticos e mostra o impacto de cada premissa. Ela não determina o preço de mercado, não mede sua experiência e não substitui uma proposta comercial. Use o resultado como piso de sustentabilidade e registre suas premissas para poder revisá-las.
Fontes consultadas
Links oficiais ou de referência verificados na última revisão deste guia.
Sobre a autoria
Publicado pela Equipe Editorial MEI Fácil, com revisão de fontes e das premissas exibidas nas ferramentas.
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